As boas ideias da reforma que modernizou a casa de fazenda
Investir em soluções práticas e simples foi a saída adotada por três irmãos para atualizar a casa de fazenda da família
Por Eliana Medina e Joana L. Baracuhy Fotos: Carlos Piratininga
[img0]Um dia, os três irmãos notaram que não eram mais os adolescentes que curtiam as férias na fazenda da família, no vale do Paraíba, interior de São Paulo. Aliás, adultos, já tinham os próprios filhos. Então veio outra constatação: a casa da sede – presente do pai, erguida na década de 1980 – precisava mudar para acompanhar a nova fase. Foi quando convocaram o arquiteto paulista Luiz Junqueira: ele saberia alterar com respeito a construção e entenderia os desejos comuns e as particularidades. Em 2006, Luiz iniciou uma rodada de reuniões para definir os rumos da reforma. O arquiteto avaliou que a casa era escura demais e pedia atualização de acabamentos. A moradia do caseiro também ganhou outra função: um espaço de uso coletivo (cozinha e área social) e setores específicos para cada filho, como numa pousada. A obra, iniciada em 2007, foi tocada por um engenheiro e um empreiteiro da região e levou oito meses. Conheça também esta casa de campo que faz releitura de casa de fazenda.
Esta área é nova – uma extensão a céu aberto da varanda. Tem troncos de eucalipto para pendurar redes – madeira do local, chumbada no piso (até 80 cm) e protegida com Neutrol (Vedacit) na parte enterrada e stain na exposta. Os proprietários acendem fogueira neste buraco de 80 cm de diâmetro e 50 cm de profundidade feito de tijolos. Detalhe: no fundo, há um dreno. Quando não está em uso, ele fica coberto por uma tampa de madeira. Projeto de Luiz Junqueira.
O bloco dos fundos (antiga moradia do caseiro) ganhou portas grandes e uma varanda (próxima foto) de onde se avista a parte de trás do terreno. Projeto de Luiz Junqueira.
A cobertura da varanda que dá para os fundos do terreno leva pilares de eucalipto, vigas comuns de madeira (6 x 6 cm e 6 x 12 cm) e taquaras de bambu (colhidas no terreno). Por cima, telhas onduladas de plástico incolor. “Custou um quinto do que sairia se eu usasse ripas de madeira e chapas de policarbonato”, estima o arquiteto Luiz Junqueira.
O jardim de inverno em frente à sala foi demolido, a varanda cresceu e virou um ambiente de estar. “Com 3 m de largura, comporta móveis e redes”, diz o arquiteto Luiz Junqueira.
As lajotas esmaltadas deram lugar a tijolos do tipo comum, mas de boa qualidade. “Os mais queimados resistem melhor à água”, explica o arquiteto Luiz Junqueira.
As paredes de tijolos aparentes ganharam um visual mais leve, sem perder a textura. “Lixamos tudo para tirar a resina protetora e aplicamos látex branco”, orienta o arquiteto Luiz Junqueira. Para clarear o interior, foi preciso quebrar parte da alvenaria e instalar esquadrias maiores. Elas são da Marcenaria Brito, feitas com angelim (madeira barata e resistente) e levam esmalte acetinado (Coralit, ref. 351 AB, da Coral).
Uma nova distribuição arrumou a cozinha. Pia e fogão mudaram de lugar, melhorando a circulação no espaço. As novas bancadas são de concreto moldado. A parede no meio das janelas foi eliminada, substituída por mais uma esquadria – medida necessária para aumentar a entrada de luz. Outra janela de madeira (um modelo pronto, mais econômico) iluminou a cozinha. Assim como o forro de jatobá, ganhou cobertura de tinta esmalte branca. Projeto de Luiz Junqueira.
Em todos os quartos (este fica no setor amarelo – veja a planta ao final), a laje do teto foi retirada para ampliar o pé-direito. Isso expôs as tesouras. Em vez de escondê-las, aqui a opção foi pelo realce, com a mesma tinta das esquadrias. Projeto de Luiz Junqueira.
Em cima, o caixilho máximo-ar tem vidro incolor liso. Embaixo, leva uma versão canelada e jateada. A banheira (Serenity, da Jacuzzi) é de imersão. “Os modelos sem jatos são mais higiênicos”, avalia o arquiteto Luiz Junqueira. Um único padrão de ladrilho hidráulico (da Ladrilar, 20 x 20 cm) foi adotado – só a cor e a disposição variam conforme o ambiente. Este é o banheiro do bloco rosa (veja a planta ao final).
O corredor que separava a casa principal da moradia do caseiro foi todo remodelado e agora une diferentes blocos da casa. Para que se possa transitar mesmo sob chuva pesada, ganhou coberturas em algumas partes, drenos por todo o piso e calhas poderosas, ligadas a correntes que ajudam a conduzir a água. Projeto de Luiz Junqueira.
O jardim de inverno foi demolido para ampliar a área de varanda (que cresceu mais 1 m) e facilitar a integração do novo terraço com o interior. “Em vez de um traçado enviesado, o acesso à sala ficou mais direto”, explica o arquiteto Luiz Junqueira. Repare que a lajota do piso saiu de cena, clareando o ambiente.
Uma solução que ajudou a clarear o ambiente: o forro de madeira foi coberto de tinta branca. Diante das bancadas, o revestimento de azulejos vai até a meia-parede. Projeto de Luiz Junqueira.
Aqui, a ideia foi criar mais superfícies planas – e aproveitáveis. A varanda foi ampliada; o pequeno terraço, idem. Assim, surgiram dois patamares, um deles bastante fresco e sombreado, o outro ideal para relaxar ao sol. Projeto de Luiz Junqueira.
Se a regra é clarear, nada melhor que substituir janelinhas por amplas portas-balcão. Exatamente isso ocorreu nesses quartos, que, para permitir o entra-e-sai, ainda ganharam um pequeno patamar com vista privilegiada da serra. Projeto de Luiz Junqueira.
A esquadria do tipo bay-window pesava no visual. Trocada por uma esquadria ampla e com poucos caixilhos (repare nos poucos quadros que compõem a peça), deixou a sala de estar muito mais leve. O toque final ficou por conta da cor, aplicada apenas nas folhas de correr. As bandeiras no alto preservam o tom natural da madeira. Projeto de Luiz Junqueira.
Totalmente remodelados, os quartos ganharam novas aberturas e agora desfrutam da paisagem. Este é o único ambiente que já tinha lareira. Projeto de Luiz Junqueira.
Áreas externas no capricho: característica desta casa de fazenda. Projeto de Luiz Junqueira.
Todos os banheiros foram renovados: este tem a parte do lavatório aberta para o quarto e ganhou uma pia sem bancada (os apetrechos ficam apoiados na prateleira de madeira). Dentro (após a porta de correr), fica a banheira de imersão escondida por uma caixa de concreto. Projeto de Luiz Junqueira.
1. Há uma área comum (cozinha, sala e varanda) e alas específicas para cada um dos três filhos e a família deles (demarcadas com cores diferentes) – além de quartos para hóspedes. 2. O corredor mudou: virou uma passagem multiúso. A circulação entre os núcleos ocorre fora da casa: uma faixa de 3 m que ajuda a ventilar e iluminar o interior. Coberta em certas partes, tem abrigos para o gás e os aquecedores. Projeto de Luiz Junqueira.